sábado, 4 de dezembro de 2010

O "Joelho de corredor" (ou Síndrome do Atrito do Trato Iliotibial)

O "Joelho de corredor" (ou Síndrome do Atrito do Trato Iliotibial)

A banda iliotibial é uma extensão tendinosa da fáscia que reveste os músculos glúteo máximo e tensor da fáscia lata proximalmente, inserindo-se ao tubérculo de Gerdy na tíbia proximal e lateral. A fáscia é bastante espessa no contorno anterolateral da coxa, pois tem que conter a potente musculatura femoral, mantendo a forma cônica desse seguimento.  
 
Figura 1 (a esquerda): (A) Atrito do trato iliotibial, visão anterior. (B) Joelho estendido (trato iliotibial anterior ao epicôndilo). (C) joelho fletido a 30 graus (epicôndilo sendo atritado pelo trato iliotibial). (D) Joelho flexionado a mais de 30 graus (trato iliotibial atrás do epicôndilo).

A dor localizada é percebida a cerca de dois centímetros acima da linha articular do joelho, tornando-se mais severa a medida que o atleta continua a se exercitar, ao ponto que o mesmo  não conseguirá mais se manter na atividade. Uma característica peculiar de corredores e ciclistas é que em geral, eles conseguem precisar a partir de que momento (minutos ou quilômetros) da sessão de treinamento começam a apresentar a queixa. 

A dor persistente durante a realização das atividades diárias, como subir escadas, indicam a cronicidade da lesão. Além da dor, a creptação (estalido) e certo grau de edema podem estar presentes na região do côndilo lateral do fêmur. Um teste de compressão (teste de Noble) pode reproduzir a dor; com o paciente em supino, o examinador coloca o polegar sobre o côndilo lateral, o paciente então realiza o movimento de flexo-extensão ativa da articulação do joelho. A dor se manifesta com o máximo de 30 graus de flexão.
 
A exemplo do que ocorre em várias lesões associadas a corrida, as causas mais comuns para o surgimento da lesão são:

• Encurtamento do trato iliotibial
• Fraqueza muscular
• Problemas estruturais (Pronação excessiva, Joelho varo, Torção tibial, Epicôndilo femoral saliente, Discrepâncias no comprimento dos MMII, etc)
• Corrida sobre superfícies irregulares
• Altura do selim e posicionamento incorreto dos pés no pedal da bicicleta (Ciclistas)
• Treinamento sem a orientação do profissional de Educação Física

O tratamento inicial é direcionado para a redução da dor e do processo inflamatório, por meio de repouso relativo, crioterapia, ultra-som e antiflamatórios. È de fundamental importância identificar e tratar os possíveis fatores predisponentes envolvidos na etiologia da lesão. Os exercícios de alongamento do trato iliotibial, como também do tensor da fáscia lata devem ter uma atenção especial. Os exercícios de fortalecimento de toda musculatura dos MMII estão indicados na fase final do tratamento.

Assim que a dor ceder, o atleta poderá voltar as suas atividades, evitando inicialmente grandes volumes, como também corridas em terrenos irregulares e enladeirados. A diminuição do comprimento do passo para corredores, como também o ajuste correto (mais alto) do selim da bicicleta para ciclistas, são atitudes benéficas nessa fase inicial de retorno a atividade. A aplicação do gelo logo após a corrida ou o ciclismo também está indicada.

Não existe uma regra perfeita para a prevenção desta lesão, uma avaliação inicial com o ortopedista ou fisioterapeuta do esporte é de fundamental importância para diagnosticar possíveis problemas estruturais. Procure realizar um bom aquecimento e alongamento dos MMII antes da prática esportiva e busque a orientação de um Educador Físico, evitando assim possíveis erros na prescrição do seu treinamento.


Bibliografias recomendadas:

1. Reabilitação Física das Lesões Desportivas. James R. Andrews; Gary L. Harrelson; Keven E. Wilk. Segunda edição. Editora Guanabara Koogan
2. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar para o estudante de Medicina. Dângelo, J. G.; Fattini, C. A. Segunda edição. Livraria Atheneu
3. Técnicas de Reabilitação em Medicina Esportiva. William E. Prentice. Terceira edição. Editora Manole
4. Lesões do Esporte Prevenção e Tratamento. Peterson L.; Renstrom P. Terceira Edição. Editora Manole

Um comentário:

  1. Olá....Acho bem interessante falarmos sobre lesões..afinald e conta é o grande pesadelo d enós corredores. assei por uma síndrome do piriforme no ano passado e confesso que ter que ter que ficar afastada por 2 meses foi duro...Mas com disciplina tudo se resolve. Também tenho ummblog sobre corridas, o JUST RUN! (www.lucy-justrun.blogspot.com). Dá uma passadinha por lá e se gostar seja um seguidor. Eu já virei a sua...rs...

    abrçaos e ótimos treinos

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